Portuguese poem
Idéia-Mãe
by Cruz e Sousa (1861–1898)
Ergueis ousadamente o templo das idéias Assim como uns heróis, por sobre os vossos ombros E ides através de um negro mar d’escombros, Traçando pelo ar as loiras epopéias.
A luz tem para vós os filtros magnéticos Que andam pela flor e brincam pela estrela. E vós amais a luz, gostais sempre de vê-la Em amplo cintilar — nuns êxtases patéticos.
É esse o aspirar do séc'lo que deslumbra, Que rasga da ciência a tétrica penumbra E gera Vítor Hugo, Haeckel e Littré.
É esse o grande — Fiat — que rola no infinito!... É esse o palpitar, homérico e bendito, De todo o ser que vive, estuda, pensa e lê!!...