Portuguese poem
Ideal Comum
by Cruz e Sousa (1861–1898)
Dos cheirosos, silvestres ananases De casca rubra e polpa acidulosa, Tens na carne fremente, volutuosa, Os aromas recônditos, vivazes.
Lembras lírios, papoulas e lilazes; A tua boca exala a trevo e a rosa, Resplande essa cabeça primorosa E o dia e a noite nos teus olhos trazes.
Astros, jardins, relâmpagos e luares Inundam-te os fantásticos cismares, Cheios de amor e estranhos calafrios;
E teus seios, olímpicos, morenos, Propinando-me trágicos venenos, São como em brumas, solitários rios.