Portuguese poem
Immortal attitude
by Cruz e Sousa (1861–1898)
Abre os olhos á Vida e fica mudo! Oh! basta crêr indefinidamente Para ficar illuminado tudo De uma luz immortal e transcendente.
5Crêr é sentir, como secréto escudo, A alma risonha, lucida, vidente... E abandonar o sujo deus cornúdo, O sátyro da Carne impenitente.
Abandonar os languidos rugidos,
10O infinito gemido dos gemidos, Que vae no lodo a carne chafurdando.
Erguer os olhos, levantar os braços Para o eterno Silencio dos Espaços E no Silencio emmudecer olhando.