Portuguese poem
Eterno Amor
by Ernesto Pires (1857–1884)
Se a morte me extinguir a mocidade, Cortando o fio de penosa vida, Julgar-me-has uma illusão perdida, Haverá dentro em ti uma saudade?
Buscarás descobrir, na immensidade, Quando a noite passar enegrecida, Uma estrella serena e dolorida Que te falle de mim, da eternidade?
Ou antes, esquecendo antigo enleio, Extinguirás de vez, dentro em teu seio A lava enorme d'um passado amor?
Se fôr assim, em noite tenebrosa, Tu hasde ouvir minh'alma lacrimosa, Magoadamente a suspirar de dor.