Portuguese poem
Depois Da Morte
by Ernesto Pires (1857–1884)
Se a crua morte te arrancar um dia Dos braços meus, ó pomba estremecida! Irá no teu caixão a minha vida, Do meu amor a doce melodia.
Quando sentires collada a terra fria Sobre o gelado peito e comprimida A nivea face que a beijar convida E que continuamente beijaria;
Hasde ouvir minh'alma, suspirando, Muito de manso, como um tenue alento, No canto triste do nocturno bando.
Escuta, então, meu lugubre lamento... No ceu, serena, a lua irá passando, Por sobre a terra gemerá o vento.