Portuguese poem
Ciume
by Ernesto Pires (1857–1884)
Não sabe com certesa o que é ciume, O que é sentir no peito, em vida, gelo, Pegar no coração e contorcel-o, Subir da raiva e do odio ao negro cume.
Não sabe o que é do amor o ardente lume... Sonhar um vasto ceu e comprehendel-o, Para ver, cruelmente, desfasel-o, Na sombra da illusão, voraz negrume.
Não sabe, não, senhora!... ai! se o soubesse, Se o podesse antever, se o comprehendesse, Estrangulando a vida, á voz do amor...
Por mais cruel que fosse não daria A uma alma, irmã da sua, essa agonia Vendo-a morrer em convulsões de dor.