Portuguese poem
Adoração
by Ernesto Pires (1857–1884)
Ouço dizer, ha muito, que a saudade Aviva n'alma os grandes sentimentos, Engrupando n'um só os pensamentos Que se reunem, além, na immensidade.
Deixei-te um dia em triste soledade, Parti, cheio de dor e de lamentos; O pobre coração, entre tormentos Luctando com raivosa anciedade.
Voltei tempo depois:--O sol raiava, Sorria a primavera, e ostentava O agreste breijo a perfumada flôr.
E ao ver-te, novamente, ó doce amante, Disse a teus pés cahido e murmurante: --Bemdicta a naturesa e o teu amor!