Portuguese poem
Cruel Destino!
by Ernesto Pires (1857–1884)
Tudo se abraça n'este mundo, creia! O mundo é sonho passageiro, breve, Se além a sorte a sina nos descreve, Tambem o amor impelle a nossa ideia.
Abraça o mar, bramindo, a branca areia, O zephyro que, á tarde, vae de leve Pelo norte a voar, abraça a neve, Abraça a chamma um corpo que incendeia.
A hera abraça o tronco que, elevando Os braços para o espaço, os entrelaça No doce arfar da naturesa, brando.
O raio abraça o cedro que estilhaça, A lua abraça o mar, se está brilhando, Só o meu peito, amor, a não abraça!