Portuguese poem
Duvida
by Ernesto Pires (1857–1884)
Tu tens no coração todo o perfume Que me embriaga a alma, docemente, Que m'a eleva voando, mansamente, Por ceu azul sem mancha, nem negrume.
Tu és, senhora, o alevantado cume Da montanha do amor, onde vou, crente, Curvar-me de joelhos, reverente, Pelo poder que o teu olhar assume.
E sempre a adorar-te ficaria Se soubesse que dentro do teu seio Um affecto por mim rebentaria.
Assim, vivendo num cruel receio, Topando a noite aonde espero o dia, Talvez não ache da ventura um veio.