Portuguese poem
(Salvação Dos Lusiadas)
by Ernesto Pires (1857–1884)
Cinzenta a côr do ceu, a noite baça, O vento chora nas enxarcias, rude Como grito plangente d'alaude, Vibrado pelos dedos da desgraça.
Além nenhuma estrella então perpassa, É o horisonte um lugubre athaude, Fervem as ondas altas como açude Que as torrentes ás agoas embaraça.
Vem da China o baixel desarvorado, Sulcou o mar com soffrega vontade, Até que o mar o fez despedaçado.
Sorrindo heroicamente á tempestade, Paga o zelo maior do seu cuidado Camões, salvando á patria a eternidade.