Portuguese poem
I
by Ernesto Pires (1857–1884)
Inveja a noite escura e tenebrosa A negra côr do teu olhar vibrante, Espelho d'alma triste e peito amante, Imagem d'uma estrella radiosa.
O teu olhar de fogo!... É assombrosa A luz que espalha ao de redor; distante Se fôr um dia, caminheiro errante, Que elle me enxuge a face lacrimosa.
Se além, na campa, os membros já cançados Eu repoisar ao pé dos tristes lyrios E dos funereos goivos delicados.
Pago serei então de meus martyrios, Se, juncto a mim, teus olhos magoados Forem-me, ali, os derradeiros cyrios.