Portuguese poem
Insondavel
by Ernesto Pires (1857–1884)
Eternamente fria, inamovibel, Materia alevantada á luz da vida, Não sei se me será doce guarida, Se para mim será um impossivel.
Ausculta-se, não pulsa. É insensivel Aos sonhos meus, á minha voz sentida, Gelada, sempre fria, incomprehendida Do amor é uma nota não tangivel.
E tem no olhar vibrante o eterno fogo Que se propaga a alma e fere logo Enlaçando n'um aro o coração.
--Ama?--Eu não o sei! Extranha amante! Illapidada assim como um brilhante, Talvez da naturesa aberração.