Portuguese poem
Mater
by Ernesto Pires (1857–1884)
Oh! l'amour d'une mère! amour que nul n'oublie! Victor Hugo.
—« Dorme, meu filho, dorme o teu somno de roza, Que estás junto de mim! Depois eu fui crescendo e ensinaste-me, rindo, As tuas orações. Esse tempo, meu Deus, foi fugindo... fugindo... Que tempo d′illusões! Meu Pae, ao ver-te e a mim, sorria de contente, Como elle era feliz! Ai! breve nos deixou... Era velho e doente; Foi Deus que assim o quiz. Aquella fronte eburnea, aquelle olhar altivo Penderam para o chão; Mas elle não morreu! Eternamente é vivo No nosso coração. — Vive, descança em paz, Progenitor honrado Aos pés do bom Jesus; Tua esposa viuva e teu filho orphanado Oram por ti á cruz.
II
Hoje, gala, pompa, festa, Prestigio, vaidade só! — Amanhã d'isto que resta? — Túmulos cheios de pó! As garras da crua morte Vestem de crepe o prazer; É lei tyranna da sorte: — Rico e pobre hão de morrer.
Ó, minha lyra, calemos Os teus lastimosos sons. E nós, minha mãe, choremos, Só podem chorar os bons. Deus, déste a lagrima ao triste Para lhe mitigar a dôr, Em nós só a dôr existe, Nós choraremos, Senhor!
III