Portuguese poem
Ii
by Ernesto Pires (1857–1884)
Talvez seja uma ponte arremessada D'um nada a outro nada incomprehensivel, Talvez seja uma nota não tangivel Na harpa pelo Destino dedilhada.
A vida... talvez seja uma enseada, Onde aporte, na furia inconcebivel Dos elementos mil do Incognoscivel, Noss'alma, sem timão, desarvorada.
Deixae livre correr a phantasia, Ó sabios que arrancaes á terra fria Os mysterios de toda a immensidade...
Que a morte, poderosa como o incendio, De vós rirá, com forte vilipendio, Levando-vos talvez á Eternidade.