Portuguese poem
Immensa Dor
by Ernesto Pires (1857–1884)
Do teu olhar a doce claridade Deu novo rumo á minha triste vida, Abriu-me a alma á luz da immensidade, Tornou-me a esp'rança ha muito foragida.
E hade talvez, atroz preversidade! Lançar de novo a alma redemida Entre os fataes escombros da saudade Essa que foi por mim compadecida?
Mostrar o sol a quem vive na treva E lançal-o, depois, á noite escura, Fugir de Adão a delicada Eva...
Senhora minha, se é assim tão dura A consciencia que d'amor me enleva, Será eterna a minha desventura.