Portuguese poem
Ii
by Ernesto Pires (1857–1884)
Os olhos que me deram na existencia, Com seu gentil fulgor de virgindade, Umas vezes amor, outras saudade, Renascendo-me a paz na consciencia;
Olhos cheios de vida e de innocencia, Revivos de perfume e suavidade, Olhos de tão formosa claridade Que escurecem do ceu a transparencia;
Talvez sejam ainda os companheiros Da melodia heroica de meu canto, Meus amigos sinceros, verdadeiros.
Talvez!... Mas se podér a sorte tanto Que os affaste de mim, que os derradeiros Suspiros meus orvalhem com seu pranto.