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Portuguese poem

Anoitecer

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A luz desmaia num fulgor d'aurora, Diz-nos adeus religiosamente... E eu que não creio em nada, sou mais crente Do que em menina, um dia, o fui... outr'ora...

Não sei o que em mim ri, o que em mim chora, Tenho bênçãos d'amor p'ra toda a gente! E a minha alma sombria e penitente Soluça no infinito desta hora...

Horas tristes que são o meu rosário... Ó minha cruz de tão pesado lenho! Ó meu áspero e intérmino Calvario!

E a esta hora tudo em mim revive: Saudades de saudades que não tenho... Sonhos que são os sonhos dos que eu tive...