Portuguese poem
Ao Vento
O vento passa a rir, torna a passar, Em gargalhadas asp'ras de demente; E esta minh'alma trágica e doente Não sabe se ha de rir, se ha de chorar!
Vento de voz tristonha, voz plangente, Vento que ris de mim, sempre a troçar, Vento que ris do mundo e do amar, A tua voz tortura toda a gente!...
Vale-te mais chorar, meu pobre amigo! Desabafa essa dôr a sós comigo, E não rias assim!... Ó vento, chóra!
Que eu bem conheço, amigo, êsse fadário Do nosso peito ser como um Calvario, E a gente andar a rir p'la vida fóra!!...
*Tédio*