Portuguese poem
Pobrezinha
Nas nossas duas sinas tão contrárias Um pelo outro somos ignorados: Sou filha de regiões imaginárias, Tu pisas mundos firmes já pisados.
Trago no olhar visões extraordinárias De coisas que abracei de olhos fechados... Em mim não trago nada, como os párias... Só tenho os astros, como os desherdados...
E das tuas riquezas e de ti Nada me deste e eu nada recebi, Nem o beijo que passa e que consola.
E o meu corpo, minh'alma e coração Tudo em risos poisei na tua mão!... ...Ah, como é bom um pobre dar esmola!...
Êste soneto e os seguintes são publicados pela primeira vez em volume.