Portuguese poem
Princeza Desalento
Minh'alma é a Princesa Desalento, Como um Poeta lhe chamou, um dia. É maguada e pálida e sombria, Como soluços trágicos do vento!
É fragil como o sonho dum momento; Soturna como préces de agonia, Vive do riso d'uma bôca fria: Minh'alma é a Princeza Desalento...
Altas horas da noite ela vagueia... E ao luar suavissimo, que anceia, Põe-se a falar de tanta coisa morta!
O luar ouve a minh'alma, ajoelhado, E vai traçar, fantástico e gelado, A sombra d'uma cruz á tua porta...