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Portuguese poem

Realidade

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Em ti o meu olhar fêz-se alvorada E a minha voz fêz-se gorjeio de ninho... E a minha rubra bôca apaixonada Teve a frescura pálida do linho...

Embriagou-me o teu beijo como um vinho Fulvo de Espanha, em taça cinzelada... E a minha cabeleira desatada Pôs a teus pés a sombra dum caminho...

Minhas pálpebras são côr de verbena, Eu tenho os olhos garços, sou morena, E para te encontrar foi que eu nasci...

Tens sido vida fora o meu desejo E agora, que te falo, que te vejo, Não sei se te encontrei... se te perdi...