Portuguese poem
Renuncia
A minha mocidade outrora eu puz No tranquilo convento da Tristeza; Lá passa dias, noites, sempre presa, Olhos fechados, magras mãos em cruz...
Lá fóra, a Lua, Satanaz, seduz! Desdobra-se em requintes de Beleza... É como um beijo ardente a Natureza... A minha céla é como um rio de luz...
Fecha os teus olhos bem! Não vejas nada! Empalidece mais! E, resignada, Prende os teus braços a uma cruz maior!
Géla ainda a mortalha que te encerra! Enche a boca de cinzas e de terra, Ó minha mocidade toda em flôr!