Portuguese poem
Sôbre a Neve
Sôbre mim, teu desdém, pesado jaz Como um manto de neve... Quem dissera Porque tombou em plena primavera Tôda essa neve que o inverno traz!
Coroavas-me 'inda há pouco de lilás E de rosas silvestres... quando eu era Aquela que o Destino prometera Aos teus rútilos sonhos de rapaz!
Dos beijos que me deste não te importas, Asas paradas de andorinhas mortas... Fôlhas de outono em correria louca...
Mas 'inda um dia, em mim, ébrio de côr, Há de nascer um roseiral em flor Ao sol de primavera doutra bôca!