Versos Portuguese Florbela Espanca Tarde No Mar

Portuguese poem

Tarde No Mar

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A tarde é de oiro rútilo: esbraseia O horizonte: um cacto purpurino. E a vaga esbelta que palpita e ondeia, Com uma frágil graça de menino,

Poisa o manto de arminho na areia E lá vai, e lá segue o seu destino! E o sol, nas casas brancas que incendeia, Desenha mãos sangrentas de assassino!

Que linda tarde aberta sôbre o mar! Vai deitando do céu molhos de rosas Que Apolo se entretem a desfolhar...

E, sôbre mim, em gestos palpitantes, As tuas mãos morenas, milagrosas, São as asas do sol, agonizantes...