Portuguese poem
Venus
by Francisca Júlia (1871–1920)
Branca e herculea, de pé, num bloco de Carrara, Que lhe serve de throno, a formosa esculptura, Venus, tumido o collo, em severa postura, Com seus olhos de pedra o mundo inteiro encara.
Um sopro, um quê de vida o genio lhe insuflára; E impassivel, de pé, mostra em toda a brancura, Desde as linhas da face ao talhe da cintura, A magestade real de uma belleza rara.
Vendo-a nessa postura e nesse nobre entono De Minerva marcial que pelo gladio arranca, Julgo vel-a descer lentamente do throno.
É, na mesma attitude a que a insolencia a obriga, Postar-se á minha frente, impassivel e branca, Na regia perfeição da formosura antiga.