Portuguese poem
Sonho africano
by Francisca Júlia (1871–1920)
Eil-o em sua choupana. A lampada, suspensa Ao tecto, oscilla; a um canto, um velho e hervado fimbo. Entrando, porta dentro, o sol forma-lhe um nimbo Côr de cinabrio em torno á carapinha densa.
Estira-se no chão... Tanta fadiga e doença! Espreguiça, boceja... O apagado cachimbo Na bocca, nessa meia escuridão de limbo, Molle, semi-cerrando os dubios olhos, pensa...
Pensa na longe patria... As florestas gigantes Se estendem, sob o azul, onde, cheios de magua, Vivem negros pituns e enormes elephantes...
Calma em tudo. Dardeja o sol raios tranquillos... Desce um rio, a cantar... Coalham-se á tona d’agua, Em compacto apertão, os velhos crocodillos...