Portuguese poem
Prece
by Francisca Júlia (1871–1920)
Santa Maria, illuminae A estrada asperrima que trilho: Ah! por amor de vosso Filho! A! por amor de vosso Pae!
Aos marinheiros que, no mar, Temem as syrtes e os escolhos, Dae-lhes a uncção dos vossos olhos, Dae-lhe a uncção do vosso olhar.
Não peço glorias nem trophéus Que as amarguras não compensam: Apenas quero a vossa bençam, Só, muito embora, ó Mãe de Deus,
O camponez não queira o buz Dos vossos olhos e nem vol-o Peça, mas peça um ferragoulo Para combrir os hombros nús.
Ao miseravel que cahir, Ao roto dae-lhes uma tira Do vosso manto de saphyra Para as feridas encobrir;
A’s noivas pobres, enxovaes; Ao peccador, ao moribundo, Dae-lhes o goso do outro mundo Longe das chammas infernaes.
Dae-nos do vosso olhar a uncção! E que sejaes sempre bemdita Lá nessa abobada infinita, O’ immaculada Conceição!
Santa Maria, illuminae A estrada asperrima que trilho! Ah! por amor de vosso Filho! Ah! por amo de vosso Pae!