Portuguese poem
Paizagem
by Francisca Júlia (1871–1920)
Dorme sob o silencio o parque. Com descanço, Aos haustos, aspirando o finissimo extracto Que evapora a verdura e que deleita o olfacto, Pelas alas sem fim das arvores avanço.
Ao fundo do pomar, entre as folhas, abstracto Em scismas, tristemente, um alvissimo ganço Escorrega de manso, escorrega de manso Pelo claro crystal do limpido regato.
Nenhuma ave siquer, sobre a macia alfombra, Pousa. Tudo deserto. Aos poucos escurece A campina, a rechã sob a nocturna sombra.
E emquanto o ganço vae, abstracto em scismas, pelas Selvas a dentro entrando, a noite desce, desce... E espalham-se no céo camandulas de estrellas.