Portuguese poem
Nocturno
by Francisca Júlia (1871–1920)
Pesa o silencio sobre a terra. Por extenso Caminho, passo a passo, o cortejo funereo Se arrasta em direcção ao negro cemiterio... Á frente, um vulto agita a caçoula do incenso.
E o cortejo caminha. Os cantos do psalterio Ouvem-se. O morto vae numa rêde suspenso; Uma mulher enxuga as lagrimas ao lenço; Chora no ar o rumor de um mysticismo aereo.
Uma ave canta; o vento acorda. A ampla mortalha Da noite se illumina ao resplendor da lua... Uma estrige soluça; a folhagem farfalha.
E emquanto paira no ar esse rumor das calmas Noites, acima delle, em silencio, fluctua O Lausperenne mudo e supplice das almas.