Portuguese poem
Musa impassivel
by Francisca Júlia (1871–1920)
Musa! um gesto siquer de dor ou de sincero Lucto jamais te afeie o candido semblante! Deante de um Job, conserva o mesmo orgulho, e deante De um morto, o mesmo olhar e sobrecenho austero.
Em teus olhos não quero a lagrima; não quero Em tua bocca o suave e idyllico descante. Celebra ora um phantasma anguiforme de Dante, Ora o vulto marcial de um guerreiro de Homero.
Dá-me o hemistichio d’ouro, a imagem attractiva; A rima cujo som, de uma harmonia crebra, Cante aos ouvidos d’alma; a estrophe limpa e viva;
Versos que lembrem, com seus barbaros ruidos, Ora o aspero rumor de um calhão que se quebra, Ora o surdo rumor de marmores partidos.