Portuguese poem
Os argonautas
by Francisca Júlia (1871–1920)
Mar fóra, eil-os que vão, cheios de ardor insano. Os astros e o luar — amigas sentinellas, Lançam bençams de cima ás largas caravelas Que rasgam fortemente a vastidão do oceano.
Eil-os que vão buscar noutras paragens bellas Infindos cabedaes de algum thesouro arcano... E o vento austral que passa em coleras, ufano, Faz palpitar o bojo ás retesadas velas.
Novos céos querem ver, mirificas bellezas; Querem tambem possuir thesouros e riquezas Como essas náos que têm galhardetes e mastros...
Ateiam-lhes a febre essas minas suppostas... E, olhos fitos no vacuo, imploram, de mãos postas, A aurea bençam dos céos e a protecção dos astros...