Versos Portuguese Francisca Júlia Rainha das aguas

Portuguese poem

Rainha das aguas

by (1871–1920)

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Mar fóra, a rir, da bocca o fulgido thesouro Mostrando, e sacudindo a farta cabelleira, Corta a planura ao mar, que se desdobra inteira, Numa varina azul orladurada de ouro.

Rema, á pôpa, um tritão de escarneo dorso louro; Vão á frente os delfins; e, marchando em fileira, Das ondas a seguir a luminosa esteira, Vão cantando, a compasso, as piérides em coro.

Crespas, cantando em torno, as vagas, em surdina, Lambem de pôpa á prôa o casco da varina Que prosegue, mar fóra, a infinda róta, ufana...

E, no alto, o louro sol que assoma, entre desmaios, Saúda esse outro sol de coruscantes raios Que orna a cabeça real da bella soberana.