Portuguese poem
Rústica
by Francisca Júlia (1871–1920)
Da casinha, em que vive, o reboco alvacento Reflete o ribeirão na água clara e sonora. Este é o ninho feliz e obscuro em que ela mora; Além, o seu quintal, este, o seu aposento.
Vem do campo, a correr; e úmida do relento, Toda ela, fresca do ar, tanto aroma evapora Que parece trazer consigo, lá de fora, Na desordem da roupa e do cabelo, o vento...
E senta-se. Compõe as roupas. Olha em torno Com seus olhos azuis onde a inocência bóia; Nessa meia penumbra e nesse ambiente morno,
Pegando da costura à luz da clarabóia, Põe na ponta do dedo em feitio de adorno, O seu lindo dedal com pretensão de jóia.