Portuguese poem
O canto da serrana
by Francisco Leite de Bittencourt Sampaio (1834–1895)
Pomba do valle, que azinha Vais tão distante á voar ! Si lá n’outras terras Vagando por serras, Tu vires o esposo, Saudoso A chorar…
Oh ! dize, avezinha, Que triste e mesquinha Falleço de dor ! Que n’este retiro Saudosa deliro De amor !
Pobre amor ! triste serrana Traz dorido o coração ! Crueis agonias Affeião-lhe os dias, Chorando sem termo No êrmo Ao sertão !
Que sorte tyranna ! Na pobre cabana Sosinha à gemer… Que angustia ! que dores ! Podesse eu de amores Viver !
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Vivera vida de enleio N’este deserto á sonhar, Em vêz d’agro pranto, Se ouvira o meu canto Na brisa macia, Que ancia No ar !
Do esposo no seio, Então sem receio Podera eu dormir ; E ao fresco do vento, Da lua ao relento Sorrir.
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Vem ! terà, meu sertanejo, Os favos de jatahy : E’ tão saboroso,
Tão puro e cheiroso O mel delicado, Guardado P’ra ti…
Ai ! vida ! n’um beijo Bem fundo desejo Se mata co’ardor Do goso nos lumes Sorvendo os perfumes De amor.
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Os meus compridos cabellos Com baunilha os perfumei. No leito macio Te aguardo do frio Com flores do monte Que a fronte Adornei.
Não queres mais vel-os ? Meu Deus ! que de zelos Eu vivo a sentir ! Nem um só momento Me é dado ao tormento Fugir !…
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Escuta ! são teus filhinhos Que choram por ti tambem ! Cruenta saudade Era mesta soidade Recresce na vida, Ferida Que têm !
Tres mezes sósinhos Aqui, coitadinhos ! Sem verem seu pai ! Ai delles ! em pranto Traduzem seu canto N'um ai !
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Volta, volta, meu tropeiro Que è deserto o teu casal. Da pobre morena Adoça-lhe a pena, Subindo p'ra serra Da terra Natal.
Cruel forasteiro ! Procura o carreiro Do gamo veloz ; Nos braços d'amante Ai ! pousa um instante A' sós !…