Portuguese poem
Amores
by Francisco Leite de Bittencourt Sampaio (1834–1895)
Espera, meu anjo, não fujas tão cedo ! Acaso tens medo Que o mundo maldiga de ti e de mim ? Aqui neste bosque ninguem nos espreita :
E’s tão innocente ! Um beijo somente Aceita… Assim !
Oh ! deixa abraçar-te, morena mimosa ! Inveja-te a rosa A cor d’essas faces de rubro setim ! Um beijo innocente…—Que goso, donzella ! Eu morro de amores Sentindo os odores Da bella. Assim !
Escuta, não ouves ? ! São cantos sentidos, São meigos gemidos Que as rôlas amantes soltaram por fim ! Imita, se amas, a rôla amorosa ; Comigo abraçada Seràs minha amada, Ditosa… Assim !
Desmaias ? ! Suspiras ? !—Que linda figura ! Não mata a ventura, Que então eu morrera de goso sem fim : Desperta, innocente, que amores dão vida. As rolas amaram, Tambem se beijaram, Querida… Assim !