Portuguese poem
No mar
by Francisco Leite de Bittencourt Sampaio (1834–1895)
Vem comigo, ò doce amada, Vem sobre as ondas do mar : A garça mimosa Não é tão ligeira, Que a barca veleira, Formosa Levada Da brisa a voar.
Linda concha—a barca bella Deixemos solta correr. Oh ! vem comigo, donzella, No mar de amores viver.
A vida nos corre breve No mar de bellezas mil : Seus thronos soltando O cysne de prata, Seu collo retrata Vogando De leve Nas ondas de anil.
Linda concha—a barca bella Deixemos solta correr. Oh ! vem comigo, donzella, No mar de amores viver.
Rainha do dia, a aurora E’ doce vel-a no mar, Deixando o horizonte Por entre a neblina, Delgada cortina Que a fronte Descora Das flores do ar.
Linda concha—a barca bella Deixemos solta correr. Oh ! vem comigo, donzella, No mar de amores viver.
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O céo se anila nas agoas, E’ oiro o sol à fulgir : A viva ardentia Do astro brilhante Convida o amante, Que ancia De magoas, Venturas fruir.
Linda concha—a barca bella Deixemos solta correr. Oh ! vem comigo, donzella, No mar de amores viver.
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A lua tem sua origem No seio escuro do mar : São doces seus raios Batendo luzentes Nas vagas trementes, Desmaios De virgem Que vive a scismar.
Linda concha—a barca bella Deixemos solta correr. Oh ! vem comigo, donzella, No mar de amores viver.
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Voz de Deus, a tempestade Não te assuste, ó meu amor ! A’ supplica cede O Alto-potente, O anjo innocente Que pede Piedade Ampara o Senhor.
Linda concha—a barca bella Deixemos solta correr, Oh ! vem comigo, donzella, No mar de amores viver.
Sopre o vento, ruja a vaga, Medonho se torne o mar ! No meio á tormenta Serás, minha bella, Estrella que vèla, Que alenta, Que afaga Do nauta o cantar !
Linda concha—a barca bella Deixemos solta correr. Oh ! vem comigo, donzella, No mar de amores viver.