Portuguese poem
_Onze De Novembro_
by Francisco Palha (1827–1890)
É noite de São Martinho, rival do velho Noé. Cae agua em logar de vinho, e--milagre!--o meu visinho entra em casa por seu pé!...
Memorias do alegre santo, porque é que tanto duraes se eu já nem bailo nem canto dês que me deram quebranto as peças originaes?!
Até as caras meninas, socias minhas na funcção, rosas, d'antes, purpurinas, por muito favor--cravinas... d'Ambrosio cravinas são.
Martinho, ao que chega a gente! Ellas feitas uns pasteis de carne velha e doente; eu comprando cada dente por tres e quatro mil reis!
Bem me toucaram taes flôres! Bem com ellas me touquei! Da cabeça agora as dôres quem m'as faz são os tenores, as portarias, e a lei!
A lei!... a eterna cantiga! o eterno sarapatel! Na nossa edade, e na antiga, lá para uns certos--espiga; lá para uns outros--papel.
Só uma córta direito: só a lei da morte é egual. Para calcular-lhe o effeito vou, deitado no meu leito, dormir um somno real.