Versos Portuguese Gonçalves Crespo I

Portuguese poem

I

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O velho entrára triste: ao pé, juncto do lar, Estava a companheira, absôrta, a meditar.

--Mulher, a fé perdi, fallei a toda a gente, E ninguem me valeu!--E ella com voz tremente: «Dize-me, e o brazileiro?» --Esse foi o primeiro.

--Batí, fui ter com elle á casa do jantar. Expliquei-lhe ao que vinha... entrou a gracejar: «Com que então você quer livrar o seu rapaz?... «Visinho, tão mal faz! «Deixe-me ir cada qual á sorte e ao seu destino! «Seu filho é um mocetão valente e muito digno «De servir o paiz...»

--E descascava um fructo... --Desatei a chorar... «--Homem não seja bruto! A farda não é morte...» --E disse mais e mais --Cousas de quem não sabe a dôr de uns tristes paes!

E emquanto o velho punha a vista lacrymosa Nos brazidos, a voz da mãe afflicta e anciosa Perguntou: «e o prior?» --Negou, negou tambem!-- A angustiada mãe Retorcia o avental com mão febril, ardente.

No silencio da noite então distinctamente, Um profundo mugido, Triste como um gemido, Longo e longo chorou no lugubre aposento...

Entreolharam-se os dois... Nisto acóde á mulher um estranho pensamento... «Temos ainda os bois! Vendamol-os!» E ria... O entristecido olhar Do velho lavrador de lagrymas nublou-se. E entrou a suspirar: --Vender os infelizes! --Uns pobres animaes, a quem só mingoa a fala --Para serem Christãos! Parece que me estala --No peito o coração... Vender os infelizes!... --Pois seja assim, mulher! Farei o que tu dizes...