Versos Portuguese Gonçalves Crespo H. Heine

Portuguese poem

H. Heine

by

Listen in the reader

Ao Visconde de Castilho II

Na praia tranquilla murmuram sonoras As ondas do mar. E, ao dôce das aguas murmúrio palreiro, Na areia dormita gentil cavalleiro Á luz do luar.

As bellas ondinas emergem das grutas De vivo coral, Accórrem ligeiras, e apontam, sorrindo, O moço que julgam devéras dormindo No argenteo areal.

Vem esta, e perpassa do gorro nas plumas As mãos de setim. E aquella, com gesto divino, gracioso, Nos ares levanta do joven formoso O aureo telim.

Ess'outra, que lavas, que fogo não vibram Seus olhos de anil! Debruça-se e arranca-lhe a rútila espada, Nos copos brilhantes se apoia azougada, Travessa e gentil.

A quarta, saltando, retouça, lasciva, Do moço em redor; Suspira mansinho, de manso murmúra: «Podésse eu em vida gosar a ventura Do teu fino amôr!»

A quinta rebeija-lhe as mãos, enlevada Num sonho feliz, E a sexta, com tremula e dôce esquivança, Perfuma-lhe a bôcca, formosa creança! Com beijos subtis...

E o moço, fingindo que dorme tranquillo, Não quer acordar. E deixa que o abracem as bellas Ondinas, E languido gosa caricias divinas Á luz do luar...