Portuguese poem
Ai, Lise, quanto me pesa
by Gregório de Matos (1636–1696)
Ai, Lise, quanto me pesa, que da dor, que padeceis, a ter não vos isenteis mais piedade, que fereza: se deste achaque a braveza entre ambos reparte amor, tenho por grande favor, que nesta amante convença eu sinta a dor da doença, vós a doença da dor.
Por razões mui aparentes devo este mal estimar, porque sei me há de livrar de trazerdes-me entre dentes: mas por causas mais urgentes quero, que o remedieis, e se quando o mal venceis, a morder-me vos provoca, perdôo o morder de boca à boca, com que mordeis.