Portuguese poem
Alto sermão, egrégio, e soberano
by Gregório de Matos (1636–1696)
Alto sermão, egrégio, e soberano Em forma tão civil, tão erudita, Que sendo o pregador um carmelita, Julguei eu, que pregava um Ulpiano.
Não desfez Alexandre o nó Gordiano, Co'a espada o rompeu (traça esquisita) Soltais na forma legal, e requisita Soltais o nó do magistrado arcano.
Ó Príncipes, Pontífices, Monarcas, Se o Mestre excede a Bártolos, e Abades Vesti-lhe a toga, despojai-lhe alparcas.
Rompam-se logo as leis das Majestades, Ouçam Ministros sempre os Patriarcas, Pois mais podem, que leis, autoridades.