Versos Portuguese Gregório de Matos Ai meu bem! ai meu Esposo!

Portuguese poem

Ai meu bem! ai meu Esposo!

by (1636–1696)

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Ai meu Deus, que já não sei vendo, que vos ausentais, dizer, como me deixais neste abismo, em que fiquei ai Senhor! e que farei para alcançar venturoso, o que por menos ditoso perdi, ou talvez de indigno: ai meu Redentor divino!

Ai meu bem! ai meu Esposo Ai Senhor, que me deixais nesta dura soledade morto na realidade, bem que vivo me vejais: mistérios de amor guardais, porque estais inda encerrado em dar-me a vida empenhado, e do vosso amor a palma: ai amante da minha alma! Ai Senhor Sacramentado!

Se nos disfarces metido roubar as almas quereis, que importa, vos disfarceis, ficando à vista o vestido? mas de que (já conhecido pelo vestido encarnado) vos importa o rebuçado: pois conhecido o poder, tanta luz escurecer Que mal pode o disfarçado.

Diáfano, e transparente esse cristal puro, e fino com resguardar o divino declara o onipotente: tanto nele permanente está sempre o majestoso, que então brilha mais lustroso pelas veias do cristal, e oculta instrumento tal Ocultar o poderoso.