Versos Portuguese Gregório de Matos Ao Sanctissimo Sacramento Estando para Comungar

Portuguese poem

Ao Sanctissimo Sacramento Estando para Comungar

by (1636–1696)

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Tremendo chego, meu Deus, Ante vossa divindade, que a fé é muito animosa, mas a culpa mui cobarde. À vossa mesa divina como poderei chegar-me, se é triaga da virtude, e veneno da maldade? Como comerei de um pão, que me dais, porque me salve? um pão, que a todos dá vida, e a mim temo, que me mate. Como não hei de ter medo de um pão, que é tão formidável vendo, que estais todo em tudo, e estais todo em qualquer parte? Quanto a que o sangue vos beba, isso não, e perdoai-me: como quem tanto vos ama, há de beber-vos o sangue? Beber o sangue do amigo é sinal de inimizade; pois como quereis, que o beba, para confirmarmos pazes? Senhor, eu não vos entendo; vossos preceitos são graves, vossos juízos são fundos, vossa idéia inescrutável. Eu confuso neste caso entre tais perplexidades de salvar-me, ou de perder-me, só sei, que importa salvar-me. Oh se me déreis tal graça, que tenho culpas a mares, me virá salvar na tábua de auxílios tão eficazes! É pois já à mesa cheguei, onde é força alimentar-me deste manjar, de que os Anjos fazem seus próprios manjares: Os Anjos, meu Deus, vos louvem, que os vossos arcanos sabem, e os Santos todos da glória, que, o que vos devem, vos paguem. Louve-vos minha rudeza, por mais que sois inefável, porque se os brutos vos louvam, será a rudeza bastante. Todos os brutos vos louvam, troncos, penhas, montes, vales, e pois vos louva o sensível, louve-vos o vegetável,