Versos Portuguese Gregório de Matos Aqui chegou o Doutor

Portuguese poem

Aqui chegou o Doutor

by (1636–1696)

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Aqui chegou o Doutor, e basta, que o Doutor diga, para que explicar consiga, que chegou o Provedor: de antinomásia o Senhor, o nobre, o esclarecido, já têm todos entendido, que é aqui o Castelbranco, a quem o Céu fez tão branco em sangue, como em apelido.

Chegou a estes areais, e alegrou-se tanto o monete, que num, e noutro horizonte se vêem trêmulos sinais: a alegria, que no mais vegetável se entendia, tanto obrava, tanto urdia, em todo o tronco valente, que em Letras do sol ardente Castelo branco se lia.

O monte escreveu na falda "aqui chegou o Doutor" com Letras de branca flor sobre papel de esmeralda: o raio do Sol, que escalda, o ar Largo, a folha breve tanto o natural reteve, que por impulso, ou por rogo em vez de raios de fogo arrojou campos de neve.

O Sol em seu parto Leito, onde morre cada dia. se escondeu de cortesia talvez, talvez de respeito: eu observava em meu peito, que a boa conversação do nosso Doutor Unhão mui alta esfera subia: mas não soube, se seria de douto, ou de cortesão.

Foi-se levando consigo nosso gosto, vida, e agrado, ele diz, que vai forçado, e eu que por ser inimigo: tão bem molesta o amigo, quando se ausenta, e se deixa: porém será injusta queixa, a que eu fizer nesta parte, pois quem forçado se parte, de inimigo não me deixa.