Portuguese poem
Flor em botão nascida, e já cortada
by Gregório de Matos (1636–1696)
Flor em botão nascida, e já cortada, Tiranamente murcha em flor nascida, Que nos primeiros átomos da vida, Quando apenas sois nada, não sois nada.
Quem vos despiu a púrpura corada? Como assim da beleza estais despida? Mas ah Parca cruel! Morte atrevida! Por que cortaste a flor mais engraçada?
Porém que importa, bem que me desvela Na flor o golpe, se maior ventura Vos prometo no Céu, bela Teresa.
De flor ao Céu passais a ser estrela, E não perde de flor a formosura, Quem no Céu melhor flor logra a beleza.