Versos Portuguese Gregório de Matos Fui hoje ao campo da Palma

Portuguese poem

Fui hoje ao campo da Palma

by (1636–1696)

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Fui hoje ao campo da Palma, onde com súbito estrondo me investiu um maribondo, que me picou dentro n'alma: era já passada a calma, e eu me sentia encalmado, sentido, e injuriado, porque sendo obrigação meter-lhe eu o meu ferrão, eu fui, o que vim picado.

Fiz por fechá-lo na mão, mas o Maribondo azedo me picava em qualquer dedo, e escapava por então: desesperada função foi esta, pods me foi pondo tão abolhado em redondo por cara, peitos, vazios, que estou em febres, e frios morrendo do Maribondo.

Dizem, que a vingança está em lhe saber eu da casa, porque deixando-lhe em brasa, o fogo mitigará: temo que não arderá por mais que toda uma mata lhe aplique com mão ingrata, porque eu, o que lhe hei de pôr há de ser fogo de amor, que inda que abrasa não mata.

Nesta aflição tão penosa donde me virá socorro? morrerei, que o por que morro, faz uma morte formosa: esta dor tão temerosa me livrará de maneira, que ou ela queira, ou não queira, em chegando à sua rua, se acaso se mostrar crua, tudo irá numa poeira.