Versos Portuguese Gregório de Matos Generoso Dom Francisco

Portuguese poem

Generoso Dom Francisco

by (1636–1696)

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Generoso Dom Francisco, mais que Conde Rei do prado, porque se a Rosa é Rainha, rei sois vóis, pois sois o Cravo. Majestoso ramilhete por cuja causa logramos trinta e seis meses de flores, que um mês fizeram de Maio. Luminar esclarecido, em quem tanto estão brilhando as luzidas excelências desses ascendentes Astros. Ouvi de meus sentimentos a voz, inda que o reparo note, que para a matéria o instrumento é mui baixo. Ouvi meus saudosos tonos, que é bem, Senhor Soberano, que, quem deu assunto à solfa, se digne de ouvir os cantos. Neste papel ponde os olhos, pois já quisestes dignar-vos de verdes da minha Musa noutro tempo outro traslado. Naquele tempo, então digo, quando escapei são, e salvo por vosso bom patrocínio de mil testemunhos falsos. Quando viu toda a Bahia no decurso de três anos sempre em flor vosso carinho, nunca murcho o vosso agrado Aqui mil órgãos quisera, para que com mil meatos sempre ferisse os encômios, onde soam os aplausos. Mas inda assim não podiam entender-se os vôos tanto, que não ficassem sucintos para elogios tão altos. Aquele ligeiro monstro, que nas presunções de alado pelas plumas marca os vôos, pelos vôos mede os passos. Só pode com nova tuba referir em pregões altos os timbres da vossa pompa, as prendas do vosso garbo. Referirá, Senhor Conde, que sempre os feitos preclaros têm por doação dos tempos da Fama os maiores brados. Esta vai com grande empenho desta Praça, para dar-vos sobre as aras do meu trono da memória os holocaustos. Digo, que vai desta Praça, onde em público teatro vemos do melhor governo os mais heróicos ensaios. Do Mestre as prerrogativas toquei em hino mais amplo por ver-se nas lições suas da pena o primeiro aparo. Aqui dos seus documentos nada digo, nada trato, que pois o assunto é só vosso, só convosco agora falo. Só convosco, porque o gênio, que é para pouco trabalho, mal pode ser juntamente Jardineiro, e Lapidário. Tanto que vos embarcastes, logo então fiquei notando, que na falta do presente se conhece o bem passado. Por vossa ausência às escuras fica a terra, e não me espanto, de que quando o sol se ausenta, se ausente da Luz os raios. A vista dos nossos olhos éreis; com que fica claro, pois, meu Senhor, vos perdemos, que sem vós cegos ficamos. A vossa falta sentimos geralmente neste estado, que sentir-se a grande perda efeito é muito ordinário. Sente o grande, que não tem o Prado alegre em Palácio, o gentil Cravo na rua, a Flor brilhante no Campo. Sente igualmente o pequeno não ter em seus desamparos abrigo para a tormenta e tábua para o naufrágio. Eu sinto, e sentimos todos, que fosse tão breve o prazo dos objetos para a vista, da vista para os regalos. Mas não podia o triênio, sendo um bem dos bens humanos, deixar de incluir o logro nos termos de momentâneo. Nesta suposição nossa concorrem motivos vários uns por parte dos alívios, outros em favor dos prazos. Mas prevalecem as penas, que os corações magoados, quando a dor mais dissimulam, então estão mais penando. Não permita vossa ausência, no sentimento intervalos, que no mal sempre contino nunca desconsolos faltam. Vossa saudade gememos nossa solidão choramos se na solidão chorosos, na saudade solitários. Nesta assistência tão breve nos mostrou o desengano não ser para pecadores o comércio de tal Anjo.