Portuguese poem
Isto, que ouço chamar por todo o mundo
by Gregório de Matos (1636–1696)
Isto, que ouço chamar por todo o mundo Fortuna, de uns cruel, d'outros impia, É no rigor da boa teologia Providência de Deus alto, e profundo.
Vai-se com temporal a Nau ao fundo carregada de rica mercancia, Queixa-se da Fortuna, que a envia, E eu sei, que a submergiu Deus iracundo.
Mas se faz tudo a alta Providência De Deus, como reparte justamente À culpa bens, e males à inocência?
Não sou tão perspicaz, nem tão ciente, Que explique arcanos d'alta Inteligência, Só vos lembro, que é Deus o providente.