Versos Portuguese Gregório de Matos Hoje pó, ontem Deidade soberana

Portuguese poem

Hoje pó, ontem Deidade soberana

by (1636–1696)

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Hoje pó, ontem Deidade soberana, Ontem sol, hoje sombra, ó Senadores, Lises imperiais enfim são flores, Quem outra cousa crê, muito se engana.

Nas cinzas, que essa urna guarda ufana, Vejo, que os aromáticos licores são de seu mortal ser descobridores, Porque, o que a arte esconde, o juízo alhana.

A Real Capitânia submergida! Olhos à gávea, ó tu Naveta ousada, Que ao mar te engolfas de ambição vencida:

Pois em terra a Real está encalhada, Alerta, altos Baixéis, porque anda a vida Da mortal tempestade ameaçada.