Portuguese poem
Horas contando, numerando instantes
by Gregório de Matos (1636–1696)
Horas contando, numerando instantes, Os sentidos à dor, e à glória atentos, Cuidados cobro, acuso pensamentos, Ligeiros à esperança, ao mal constantes.
Quem partes concordou tão dissonantes? Quem sustentou tão vários sentimentos? Pois para glória excedem de tormentos, Para martírio ao bem são semelhantes.
O prazer com a pena se embaraça; Porém quando um com outro mais porfia, O gosto corre, a dor apenas passa.
Vai ao tempo alterando à fantasia, Mas sempre com ventagem na desgraça, Horas de inferno, instantes de alegria.